segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Too weird to live, and too rare to die

Há algum tempo eu escrevi um post sobre filmes junkie. Deixei de lado um dos maiores clássicos por motivos óbvios: eu ainda não tinha lido o livro. Óbvios para mim, que adquiri essa mania de sempre tentar ler o livro para ver o filme depois. Claro que na maioria das vezes eu me decepciono, mas felizmente não foi o que aconteceu aqui. 

Medo e Delírio em Las Vegas é o filme em questão.


Hunter S. Thompson teve uma vida deveras conturbada. Pais alcoólatras, roubos, drogas e etc. 
Além dos problemas, ele ficou conhecido como o criador do jornalismo gonzo. O termo vem de uma gíria irlandesa utilizada para definir aquele que continua de pé após intensa bebedeira. E na escrita? Abandono de toda a objetividade, misturar as sensações com o que se escreve e pronto. Hoje em dia um monte de gente diz que escreve no estilo gonzo e blá blá, mas são poucos.
Não posso deixar de citar Lester Bangs que escrevia ótimos textos sobre rock para revistas importantes. Ele foi retratado em Quase Famosos por Philip Seymour Hoffman.


Mas voltando a Thompson, seu livro Medo e Delírio em Las Vegas fala dele mesmo e de seu advogado numa viagem à Las Vegas para cobrirem um evento. Mas eles gastam toda a grana em drogas, bebidas e armas. 
O enredo é basicamente simples, mas Thompson conseguiu conduzir de forma bem interessante e o livro não fica entediante em momento algum. 
Demorei para lê-lo porque ele só tinha saído aqui no Brasil numa edição cara. Mas a L&PM resolveu fazer um bem para a humanidade e o lançou em formato pocket. :)


E as ilustrações que Ralph Steadman fez são um show à parte.


Obviamente, virou filme. Todo bom livro acaba virando filme, e isso não é necessariamente uma coisa boa.
Johnny Depp no papel de Thompson e Benicio Del Toro, como o advogado samoano. Depp conviveu diretamente com Thompson para "pegar" seu jeito, e Del Toro engordou alguns bons quilos.
O filme é bem fiel ao livro, mas um pouco cansativo. O Delírio do título foi levado BEM a sério.


Thompson chegou a dizer que não aceitaria que outro ator o interpretasse, além de Depp.
E eu concordo. Dificilmente outro conseguiria fazer o que Depp fez sem cair no ridículo exagerado. Diz a lenda que o próprio Thompson raspou o cabelo de Depp para o papel.

 
Thompson se suicidou em 2005 com um tiro na cabeça, mas deixou para sempre sua marca na literatura, e consequentemente, no cinema.

R.I.P.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Bill Murray, you're a zombie?

Zumbis sempre foram uma ótima temática para filmes. Começando talvez com Zumbi Branco (com meu adorado Bela Lugosi), passando pelos clássicos de Romero, até os dias de hoje, com REC e Deadgirl (dois dos melhores filmes de zumbis, na minha opinião).

Mas e quando os filmes de zumbi são comédias?

O que pensar de zumbis nazistas na neve? Assim é o norueguês Død snø ou Dead Snow.


Aqui temos todos os clichês dos grandes filmes de terror dos anos 80: o gordinho nerd, as gostosas, os garanhões, vítimas burras. Com zumbis nazistas na neve!
Cada detalhe é uma homenagem aos clássicos oitentistas, inclusive, o citado gordinho nerd é fã desses filmes e fala deles a todo momento. E o mais legal: o gordinho se dá bem, de uma forma bastante bizarra...e seu fim é cruel!
A batalha entre os sobreviventes e o exército de zumbis nazistas é simplesmente uma das coisas mais geniais que eu já vi na minha vida. 

Quando saiu o Zombieland, eu achei que fosse ser um filme fresco, babaca e sem graça alguma. Eu me enganei feio.
Woody Harrelson está ótimo no papel de matador de zumbis, assim como os outros atores, mas ele é o maior destaque. Sem contar Bill Murray interpretando a ele mesmo. Jesse Eisenberg, no papel do herói virgem que sofre de síndrome do intestino irritável, também merece pontos.
Tem tudo para ser um filme bestinha, mas se tornou um dos meus preferidos de todos os tempos. Melhores cenas que rendem muitas risadas, sangue e humor negro aos montes.

E para finalizar, dois filmes que eu ainda não vi, mas que estão aqui na fila...por motivos óbvios...
Ovelhas zumbis...


Manos zumbis...

Mais alguma indicação de comédias de zumbis? :)

domingo, 7 de novembro de 2010

Elogio ao Mau Gosto (Parte IV)

De volta aos filmes grotescos, esquisitos, fortes, intensos ou o que quer que seja. :)

Separei três filmes daqueles que considero uns dos mais polêmicos.
Polêmicos não por suas cenas ditas chocantes, mas sim porque dividem e muito a opinião das pessoas. Algumas amam, outras odeiam, mas não tem como dizer que esses filmes apenas existem. Arte ou besteira?

O primeiro, obviamente, é Salò ou os 120 dias de Sodoma.


Baseado em obra de Marquês de Sade, Pasolini nos leva à Itália fascista no ano de 1944. 4 libertinos sequestram adolescentes e os submetem a 120 dias de torturas de todos os tipos, sexuais, mentais e físicas.
Esse filme foi proibido em diversos países, inclusive no Brasil, por apresentar cenas explícitas de sexo, coprofagia e agressão, tudo isso cercado de política.
Pasolini, ateu e comunista, foi assassinado no mesmo ano em que o filme foi lançado.

Eu, particularmente, gosto bastante do filme, vejo um porquê em cada uma daquelas cenas e acredito que o filme seja importante. Claro que certas cenas ultrapassam os limites do bom senso, mas creio que foram bem encaixadas no contexto, não estão ali apenas para "chocar".

Um filme chamado Anticristo não poderia passar em branco, ainda mais quando o diretor Lars von Trier estava dizendo aos quatro ventos que ele era o melhor diretor do mundo.
Trier disse que este filme foi escrito em meio a uma crise de intensa depressão, então só poderíamos esperar por algo bem intenso.


Os personagens não tem nome, são apenas Ele e Ela. Certa noite, estão fazendo sexo, enquanto o filho pequeno está em outro quarto. Sem que eles percebessem, a criança cai da janela e falece. Ela entra em profundo desespero, começa a crise de culpa e não parece haver uma cura para sua dor. Ele, terapeuta, resolve levá-la para uma cabana afastada, para tentar curá-la. Aí começam os problemas.


Lá ele encontra anotações que ela fez durante uma estadia anterior.
Sexo explícito, tortura e muita loucura. Assim defino Anticristo.
Engraçado ver como o nome do filme por si só ainda é um tabu para muitas pessoas.
Muitos consideraram o filme como misoginia pura, outros como um delírio sem pé nem cabeça de Trier. Eu gostei, não procurei encontrar nenhum porquê no filme. 

Para fechar, um filme mais "light". Não no sentido da escatologia, mas sim de tensão. É uma comédia de John Waters, mais conhecido por dirigir Mamãe é de Morte, clássico da minha infância. :)


Em Pink Flamingos, temos o travesti Divine, que vive com seu filho, sua mãe e uma amiga, Cotton. Ela é conhecida por ser a pessoa mais infame do mundo, até que um casal rouba esse título. Como? Eles sequestram mulheres, as engravidam e depois vendem seus bebês para casais de lésbicas.
E Divine? Ela pratica sexo oral com o filho, carrega pedaços de carne entre as pernas, tem uma mãe que ama comer ovos cozidos e um filho que faz sexo com uma mulher e uma galinha, ao mesmo tempo.
Escatologia é pouco. Mas eu acho esse filme divertidíssimo. Acho que esse é o mérito. Ele tem tudo para fazer uma pessoa torcer o nariz, mas arranca boas risadas. 


A melhor jogada de marketing ocorreu com o trailer. Não aparece nenhuma cena do filme, apenas pessoas saindo do cinema e falando o que acharam. Umas criticam, outras elogiam e um certo cara diz que é melhor que Gritos e Sussurros, do Bergman. Isso bastou para que o filme se tornasse um sucesso no underground.

Em breve volto com mais posts sobre o tema. :)

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O terror em letras (I)

Desde bem pirralha eu gosto de ler. Mas gosto MUITO.
Os primeiros livros que me chamaram a atenção foram os de terror.
Seguem alguns dos que eu mais gosto. :)


Acho que todo mundo que gosta de terror e livros já leu alguma coisa do Stephen King.
O primeiro dele que li foi Carrie e nem preciso dizer que me apaixonei por ele. Li com uns 11 anos, mas "roubaram" a edição que eu tinha em casa, então ganhei essa mais moderna em 2003.
Já O Iluminado eu tive que ler uma segunda vez para gostar. Na primeira achei bem arrastada, na segunda, se tornou um dos meus livros preferidos de todos os tempos. Engraçado pensar que o King não gostou da versão que Kubrick levou para o cinema. Eu adoro!
Gosto muito de O Cemitério também, mas infelizmente não o tenho em casa. 
Nada melhor do que misturar King com Ramones. :)





Dois livros mais do que clássicos!
Nem preciso comentar nada sobre A Profecia e nosso querido Damien. Mais uma adaptação para o cinema que eu acho que deu realmente certo. Tive a oportunidade de ler a sequência que fizeram, mas devo dizer que achei um lixo. Livro escrito apenas visando o lucro!
O Exorcista é outro que dispensa comentários! Esse da foto é o roteiro original, cheio de fotos das filmagens e curiosidades. É um dos livros que eu mais gosto da coleção daqui de casa. Infelizmente não tenho mais o romance em si. Isso que dá emprestar para pessoas que não possuem cuidado algum. ¬¬


Li esse A Entidade quando eu tinha uns 14 anos e lembro de não gostar muito. Mas começa com uma mulher sendo estuprada por um espírito. Ok, é válido.
Já As Duas Vidas de Audrey Rose é mais conhecido, porque também teve adaptação para o cinema e fez um certo sucesso. Uma menina começa a sentir as mesmas coisas que outra sentia. Trata de reencarnação de uma forma bem interessante. E livros de terror que envolvem crianças são sempre mais assustadores.


Jay Anson. Este senhor foi o responsável por muitos de meus pesadelos. 
666 nem é tão pesado assim, mas Horror em Amityville me fez varar noites e noites sem dormir. 
Um casal se muda com sua família para uma casa em que aconteceram assassinatos no passado. Coisas estranhas começam a acontecer, barulhos e comportamentos bizarros. Dizem ter sido inspirado em um caso real. No próprio livro tem fotos da real família Lutz, bem como mapas da casa e desenhos da filha mais nova do casal. Em breve devo fazer um post sobre esse caso, pois me interessa muito.
Só digo que passei meses e mais meses vendo olhinhos vermelhos na janela do meu quarto! 


Agora o clássico: Edgar Allan Poe!
Seus contos são bem descritivos e intensos. O terror vai crescendo de acordo com a narrativa. Impossível esquecer de contos como O Gato Preto, A Queda da Casa de Usher e O Barril de Amontilado. 
Há inúmeras adaptações de Poe para o cinema, mas as melhores são definitivamente as interpretadas por Vincent Price.
Tim Burton que o diga com seu Vincent. :)


Esse box está na coleção daqui de casa há muito tempo, não faço idéia do ano que foi comprado, mas lembro que foi MUITO barato. Reune clássicos do Poe, Doyle, Agatha Christie, Stoker e Stevenson.

E para fechar, aquela que eu considero a melhor capa de terror de toda a história.


Não coloquei clássicos como Drácula e Frankenstein, pois terão outros posts só para eles. Anne Rice idem.

Alguma indicação? :)

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Whoopy-fucking-doo

Há algum tempo eu fiz um post sobre o Rob Zombie.

Esses dias eu estava arrumando umas revistas antigas e no meio delas encontrei uma Kerrang! de novembro de 2000. Marilyn Manson na capa, matérias com diversas bandas interessantes e eis que na última página há uma pequena matéria com ninguém menos do que o Rob Zombie. 
Lá ele fala um pouco de sua rotina durante as filmagens de Casa dos 1000 Corpos.

Eu scaneei para quem quiser ler. :)


she had a corpse
under her bed
he had her fun
but now he's dead
hear momma said
come feed desire
her brother said
hey, throw her on the fire

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Elogio ao Mau Gosto (Parte III)

O cinema oriental ficou conhecido nos anos 90 por causa de seus filmes de terror muito tensos e bizarros. Mas de uns tempos para cá, posso dizer que o cinema francês está lado a lado no quesito tensão.

Duas colegas de faculdade vão para a casa dos pais de uma delas para passar férias. Durante a noite, começa o caos. Um a um, os membros da família são assassinados e as duas garotas precisam fugir.


Obviamente, como sempre, nem tudo é o que parece.
E assim é Haute Tension.
Acho que esse foi o primeiro filme que eu vi dessa leva do cinema francês.
Extremamente recomendado para quem gosta de tensão e finais surpreendentes.

Todos sabemos que os norte-americanos adoram fazer um remake. Às vezes o resultado é ok, mas na maioria das vezes é um desastre completo.
Ano passado assisti The Strangers, com Liv Tyler e Scott Speedman. 


O casal chega de uma festa e eles estão brigados. Ele sai para comprar alguma coisa e aí começa o problema. Tyler começa a ouvir uns barulhos e descobre que há pessoas rondando a casa, sem motivo aparente.
É um filme bacana, não chega a ser um absurdo de tenso, mas é ok.
Aí descubro que ele é remake do francês Ils.


Alguns detalhes são bem diferentes, mas a premissa é a mesma. O casal começa a ser atormentado por pessoas que rondam a casa.
Este é mais violento, mais tenso e tem um desfecho mais surpreendente.
E dizem ser inspirado em fatos reais.

Certos filmes tem o poder de causar uma sensação semelhante a um soco no estômago. É o caso de À l'intérieur. 


Na primeira cena temos uma moça grávida e seu marido em um carro. Eles sofrem um acidente, ele falece e ela sobrevive, sem perder o bebê.
Uma noite antes de dar a luz, ela está em casa quando percebe que há uma pessoa na casa.
Não vou entrar em muitos detalhes porque esse filme merece ser assistido.
É tenso, pesado e muito cruel.
Tem um daqueles finais em que você fica sem reação ao assistir, devido a intensidade da demência.

O cinema francês consegue me surpreender em tempos em que quase nenhum outro consegue. 
E em breve, outros post ainda dentro desse tema. Sugestões são sempre bem vindas. :)

domingo, 31 de outubro de 2010

I remember Halloween

Só para não deixar o Halloween passar em branco. :)


Bonfires burning bright
Pumpkin faces in the night
I remember Halloween

Dead cats hanging from poles
Little dead are out in droves
I remember Halloween

Brown leafed vertigo
Where skeletal life is known
I remember Halloween

This day anything goes
Burning bodies hanging from poles
I remember Halloween

Halloween, Halloween, Halloween, Halloween

Candy apples and razor blades
Little dead are soon in graves
I remember Halloween

This day anything goes
Burning bodies hanging from poles
I remember 

Halloween, Halloween, Halloween, Halloween
Halloween, Halloween, Halloween, Halloween

 
Formulae ueteres exorsismorum et excommunicationum
Strigas et fictos lupos credere
Daemon pellem lupinam
In trunco quodam cauae
Arboris occultandum

Halloween, Halloween, Halloween, Halloween
Halloween, Halloween, Halloween, Halloween
Halloween, Halloween, Halloween, Halloween

Metamorphoses lycanthropie
Possunt inquam
Metamorphoses lycanthropie
Possunt inquam

Halloween, Halloween, Halloween, Halloween
Halloween, Halloween, Halloween, Halloween


Black dress moves in a blue movie
Graverobbers from outer space
Your pulmonary trembles in your outstretched arm
Tremble so wicked
Two inch nails
Micro waist
With a pale white feline face
Inclination eyebrows to there
Mistress to the horror kid
Cemetery of the white love ghoul, well
Take off your shabby dress

Melhor banda do mundo para "comemorar" essa data. :)

sábado, 30 de outubro de 2010

Elogio ao Mau Gosto (Parte II)

Nem só de filmes grotescos geniais vive o cinema. Obviamente que essa é minha opinião, fiquem à vontade para discordar.

Como eu disse no post anterior, adoro um filme bizarro que causa um certo mal estar, mas alguns querem apenas chocar e não chegam a lugar algum. Isso me decepciona demais!

Certa vez um amigo me indicou um chamado Sweet Movie. Disse que era uma das coisas mais geniais que ele já tinha visto na vida, que era perfeito.
Ok, assisti.


Não achei nada de interessante, apenas um amontoado de bizarrices que não chegam a lugar algum.
Uma cena merece destaque pelo nível de demência: algumas pessoas estão num banquete, comendo loucamente enquanto uma moça fica acariciando o pênis de um cara. E não no sentido sexual, mas sim de carinho mesmo. Até que o tal banquete descamba para a escatologia em seu nível mais extremo.
O filme termina e é como se não tivesse existido. Apenas aquilo.
Depois que assisti Para Sempre Lilya (em breve terá post para ele) fiquei encantada com o trabalho de Lukas Moodysson. Vi Amigas de Colégio e achei meio bobinho, mas assistível. 
Aí assisti Um Vazio em Meu Coração e veio a decepção completa.


Mais um filme que quer chocar apenas por chocar.
Um rapaz tem as mãos deformadas e vive com seu pai esquisito. O pai resolve fazer um filme pornô caseiro em casa, enquanto o menino fica em seu quarto.
Ok, só isso é suficiente para demonstrar o que aparece no filme.
É um dos piores filmes que eu já vi na minha vida. Depois desse, Moodysson nos trouxe Corações em Conflito, que é bem melhorzinho.

Bukowski é meu escritor preferido. Preferido mesmo! Então tento sempre assistir a todos os filmes baseados em suas obras. Factotum, Barfly e meu preferido Crônica de um Amor Louco são ótimos filmes, mas Crazy Love foi um horror sem tamanho.


É um filme nojento. Ponto.
Bukowski escreveu coisas bem nojentas, mas com um ótimo tom de sarcasmo que se perdeu no filme. 
O pior de tudo é que de todas as adaptações, essa foi a preferida de Bukowski.
Vai entender...

E para finalizar, um filme que eu não odeio tanto, apenas acho sem graça...


Falei dele aqui 

Sugestões?

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Elogio ao Mau Gosto (Parte I)

Pegando carona no post do Gaspar Noé, resolvi escrever sobre filmes tensos, que incomodam, reviram o estômago e fazem você perder qualquer esperança na humanidade. 
Resolvi dividir esse texto em duas partes (ou mais) e sugestões são bem vindas. :)

Vou começar pelo filme que acabou com a minha vida. Ok, exagero, mas me deixou com nojo de mim, da humanidade e uma sensação de despero que custou a passar. Martyrs.


A primeira cena é a de uma menina muito machucada escapando de um lugar isolado. Ela é encontrada e levada a uma espécie de orfanato, onde se aproxima de outra garota. Passados alguns anos, as duas saem em busca de vingança.
O bom desse filme é que ele é totalmente imprevisível. Em dado momento você acreditar estar diante de um terrorzão, de repente vira um Kill Bill da vida e do nada, cai para um dos finais mais grotescos que eu já vi em toda a minha existência.
Não é um filme ruim, de forma alguma, é chocante, no real sentido da palavra. Não é para pessoas "frescas" ou de estômago fraco. Perturbador, doentio. Excelente, mas que pretendo nunca mais assistir!

Dread foi um que passou pelo sério problema das traduções aqui no Brasil. Chegou a nós como Lentes do Mal. Ok, faz sentido, mas perdeu sua essência.
Três amigos se reunem para um projeto da faculdade: gravar depoimentos dos maiores medos das pessoas. Cada um fala de seus maiores temores em frente a uma câmera. Até que um desses amigos resolve surtar e usar esses medos contra as pessoas.
Confesso que eu tenho um preconceitozinho com terror atual norte americano. Esse foi uma grata surpresa. Não cai em nenhum clichê, assusta, é tenso e tem um daqueles finais surpreendentes.
Uma curiosidade é que foi escrito por Clive Barker, o criador de Hellraiser. 

Quantos filmes noruegueses você já viu?
Eu mesma, só tinha visto um (A arte de pensar negativo), até que Naboer caiu em minhas mãos.


Naboer quer dizer vizinhos e aqui foi traduzido como Algumas Portas Nunca Deveriam Ser Abertas. Novamente, faz sentido, mas...
Certo dia, um rapaz vai até o apartamento ao lado do seu e encontra duas irmãs que lá moram. Logo, ele desenvolve uma relação bem esquisita com a irmã que parece ser a mais nova. Sexo e violência, literalmente.
Mas como em todo bom filme tenso, nem tudo é o que parece.
Mais um filme que embrulha o estômago e nos deixa abismados com o que pode acontecer com a sanidade de uma pessoa.

Gregg Araki não é um cara normal. Esse homem só faz filmes doentes e eu AMO.
O primeiro dele que vi foi Doom - Geração Maldita.


Um casal mata acidentalmente um homem numa loja e depois contam com a ajuda de um desconhecido para escapar.
Doença do começo ao fim. Sexo, violência, sangue, drogas e mais sexo bizarro.
A cena final é uma das mais geniais que já fizeram na história do cinema. Genial para quem gosta de uma bizarrice, de algo totalmente fora do convencional.


Em breve volto com a segunda parte do texto.
E como eu disse no início do post, aceito sugestões. :)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Le temps détruit tout

Não é qualquer um que aprecia o cinema do franco-argentino Gaspar Noé. Violência, qualquer tipo de tabu e muita bizarrice são temas recorrentes de seus filmes.
Bastante cultuado pelos fãs de cinema dito "alternativo", ele alcançou o grande público com Irreversível.

 
Tudo começou em 1985 com Tintarella di luna. Imagem bem ruinzinha, enredo sobre uma praga que se espalhou por um vilarejo bem afastado da civilização. 
Bastante bizarro, deu indícios de como seria o cinema de Noé.




Em 1991 ele deu início a triologia que deu início a seu reconhecimento em meio a grandes diretores: Carne, Sozinho Contra Todos e Irreversível.

Em Carne temos um açougueiro que vive em função de sua filha. Ele a cerca de cuidados, digamos, pouco comuns numa relação pai-filha adolescente. Até que um dia ela é estuprada e ele sai à caça do culpado.
Vale ressaltar que ele não é um açougueiro de carne "comum".




Logo após veio Sozinho Contra Todos. Aqui o açougueiro começa uma nova vida com uma nova esposa.
Igualmente perturbador.


Para fechar a triologia, Irreversível. Com a atuação de Monica Bellucci e Vincent Cassel, o filme chegou a grande festivais e ganhou destaque pela impresa especializada.
Remetendo ao título, ele começa do fim, com esse mesmo senhor dos dois filmes citados anteriormente. Logo em seguida, mostra uma casa noturna e uma confusão. Depois, temos a famosa cena do estupro. Durante longos minutos vemos Bellucci ser violentada num túnel. 
A cena marcou a história do cinema.



Noé costuma rodar diversos curtas, entre eles We Fuck Alone, SIDA e o clip de Protège-Moi, da banda Placebo.
O mais controverso talvez seja Sodomites. Nele temos um homem-besta fazendo sexo anal com uma mulher x, em meio a uma platéia enlouquecida. Li em algum lugar que Noé fez esse curta como uma apologia ao sexo seguro, mas não posso confirmar.
Recentemente pude ver o conjunto de 3 curtas chamado Eva. Neles, a modelo Eva Herzigova aparece em diferentes situações, num jogo de luzes e barulho, características clássicas de Noé. Destaco o primeiro em que ela aparece seminua num tapete vermelho brincando com um gatinho bebê.

Seu filme mais recente é Enter The Void, que eu ainda não pude ver.
Bom ou ruim, amado ou odiado, com Noé não tem meio termo. Seus filmes não são "leves" e exigem um estômago forte. Sem moralismos, ele mostra uma face bastante nojenta do ser humano. E não creio que ele faça isso para chocar, é apenas sua forma de se expressar pela arte.
Quem procura loucamente por um sentido nos filmes poderá se frustrar. Aqui não é esse o caso, é assistir e se entreter, mesmo que haja uma dose de masoquismo nisso.